Sexta-feira, Maio 25, 2007


atualizando...
hahakdfkalksvmaoçiewrlmaflçkcxfaiesjrdmcvkçlaiemfdokfmçasl


Postado por Clarissa às 6:39 PM


___________________________________
Sexta-feira, Julho 30, 2004


Olá a todos! E não é que as férias já acabaram? rs

Bem, ao pessoal da manhã, um recado: mudança no horário da aula! A partir de agora, as aulas de obras literárias serão dadas nas quintas-feiras, às 18hs.

E o pessoal do noturno continua na quarta-feira, naquele mesmo horário: 18h30.

Espero vocês!
Beijos.



Postado por Clarissa às 10:38 PM


___________________________________
Sexta-feira, Julho 16, 2004


Olá, queridos!
Saudações da professora!
Aproveitem bem as férias, pois elas passam voando!!!

Veremo-nos em breve. Beijos a todos!



Postado por Clarissa às 1:30 AM


___________________________________
Sexta-feira, Junho 18, 2004


Prova bimestral noturno!

Atenção alunos dos terceiros colegiais noturnos: o resumo com a matéria pedida na avaliação já foi mandado por e-mail aos alunos que acrescentaram seus endereços eletrônicos na lista que foi passada na classe, na quarta feira.
Claro que também indico que vocês leiam a apostila, pois o resumo é apenas um roteiro de estudo!
Boa prova!


Postado por Clarissa às 4:29 PM


___________________________________
Terça-feira, Junho 15, 2004


Olá, queridos!
Hoje deixo vocês com o resumo do Libertinagem.
Grande beijo a todos!


ESTUDO SOBRE A OBRA LIBERTINAGEM, DE MANUEL BANDEIRA

Sobre o autor

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu no Recife, em 1886. Aos dez anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou o Colégio Pedro II. Começou a estudar Engenharia em São Paulo, mas teve que parar por conta da tuberculose. Por causa da doença, tratou-se em diversas cidades, indo parar mais tarde (1912) no sanatório de Clavadel, na Suíça. Lá, conheceu grandes nomes da poesia simbolista e pós-simbolista francesa (influência que pode ser vista em Cinza das Horas e Carnaval, seus dois primeiros livros). Já de volta ao Rio, acaba fazendo amizade com os futuros modernistas, como Ronald de Carvalho (que, na Semana de Arte Moderna, declama o poema Os sapos, de Bandeira ¿ crítica aos parnasianos), Tristão de Ataíde e Graça Aranha. Não participou da Semana, mas foi acolhido pelo grupo de modernistas, sendo até denominado ¿São João Batista do movimento¿.
Foi escolhido para ocupar a cadeira de número 24 na Academia Brasileira de Letras, no ano de 1940. Além de escrever prosa e poesia, Bandeira também traduziu diversas obras para o português, foi crítico de artes e lecionou Literatura hispano-americana na Faculdade Nacional de Filosofia.
Faleceu no Rio de Janeiro, em 1968.

Sobre a obra

A obra Libertinagem é constituída por 38 poemas, escritos com versos livres, de cunho autobiográfico ¿ já que, como temas principais, podemos destacar a infância no Recife, a saudade dos tempos de menino, a adoração à terra-natal, as doenças e as dores ligadas à tuberculose, a saudade do pai morto, a crítica aos parnasianos, entre outros.
Essa obra foi a primeira de Bandeira a ser escrita sob influência modernista (na 1ª. Fase do Modernismo brasileiro), sendo que seus dois livros anteriores ainda possuíam características simbolistas.
Destacamos, aqui, os temas mais relevantes na obra, bem como os poemas em que esses temas aparecem:
¿ A infância, as pessoas ligadas a ela e sua cidade-natal, que servem de refúgio ao ¿eu-lírico¿ (poeta descontente e infeliz); essas lembranças servem como alívio de sua dor no presente. (O Anjo da Guarda, Porquinho-da-Índia, Evocação do Recife, Profundamente, Irene no Céu, O Impossível Carinho, Poema de Finados).
¿ Imagens brasileiras, que evocam lugares, tipos populares e a própria linguagem coloquial do Brasil, transformando o cotidiano em matéria poética (Mangue, Evocação do Recife, Lenda Brasileira, Cunhantã, Camelôs, Belém do Pará, Poema tirado de uma notícia de jornal, Macumba de Pai Zusé e Pensão Familiar).
¿ Anseio de liberdade vital, onde o ¿eu-lírico¿ (poeta melancólico, solitário e irônico) extravasa seus ideais libertários quer de sentimentos e desejos vitais, quer estéticos (Não sei dançar, Na boca, Vou-me embora pra Pasárgada, Poética, Comentário Musical e O Último Poema).
¿ Visão desiludida e irônica da vida, mostrando uma melancolia profunda que gera, às vezes, uma visão surrealista com final inesperado ou um desejo de mudança (Não sei dançar, O Cacto, Pneumotórax, Comentário Musical, Chambre Vide, Banheur Lyrigue, Poema tirado de uma notícia de jornal, A Virgem Maria, O Major, Oração a Terezinha do Menino Jesus, Andorinha, Noturno da Parada Amorim, Noturno da Rua da Lapa, O Impossível Carinho, Poema de Finados e O Último Poema).
¿ Amorosos, ora apresentando sentimentos puros e inocentes, ora apresentando imagens femininas eróticas (Mulheres, Porquinho-da-Índia, Tereza, Madrigal tão engraçadinho, Na Boca e Palinódia).

Livros publicados
Poesia:
1917- "A Cinza das horas"
1919- "Carnaval"
1924- "Poesias"
1930- "Libertinagem"
1936- "Estrela da manhã"
1937- "Poesias escolhidas"
1940- "Poesias completas"
1948- "Mafuá do Malungo"
1952- "Opus 10"
1953- "50 Poemas escolhidos pelo autor"
1955- "O Melhor soneto de Manuel Bandeira"
1956- "Um Poema de Manuel Bandeira" ; "Obras Poéticas" (Lisboa)
1960- "Estrela da tarde"
1965- "A Morte"; "Estrela da vida inteira", 2ª. Edição, 1968
1966- "Meus poemas preferidos"

Crítica, ensaio, crônica:
1937- "Crônicas da Província do Brasil"
1938- "Guia de Ouro Preto" (ed. em francês)
1940- "A Autoria das cartas chilenas"; "Noções de história das literaturas"
1941- "Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras"
1943- "Glória de Antero"
1944- "Apresentação da poesia brasileira"
1946- "Oração de Paraninfo"
1947- "Recepção do Sr. Peregrino Júnior na Academia Brasileira de Letras"
1949- "Literatura Hispano-americana"
1952- "Gonçalves Dias, esboço biográfico"
1954- "De Poetas e de poesia"; "Mário de Andrade, animador da cultura musical brasileira"
1956- "Francisco Mignore"
1957- "Flauta de papel"
1962- "Poesia e vida de Gonçalves Dias"
1965- "Andorinha, andorinha" (2ª. Ed.)
1966- "Os Reis vagabundos e mais 50 crônicas"
1968- "Colóquio unilateral sentimental"

Antologias:
1937- "Poetas brasileiros da fase Romântica"
1938- "Poetas brasileiros da fase Parnasiana"
1943- "Obras primas da Lírica brasileira" (com Edgard Cavalheiro)
1946- "Antologia de poetas brasileiros bissextos contemporâneos"
1958- "Gonçalves Dias" (poesia)
1963- "Antologia de poesia do Brasil" (com José Guilherme Merquior)
1965- "Antologia da fase Simbolista"




Postado por Clarissa às 3:31 AM


___________________________________
Quarta-feira, Junho 02, 2004


Olá, queridos alunos e internautas!
Hoje, coloco aqui à disposição de vocês o resumo de Macunaíma. Divirtam-se!

PS: Alunos de Obras da terça, não se sintam excluídos... Sei que vocês já possuem há tempos esse resumo.
E, aos demais alunos do noturno, adiantem suas leituras!
Beijos a todos.

ESTUDO SOBRE A OBRA MACUNAÍMA, DE MÁRIO DE ANDRADE


Sobre o autor

Mário Raul de Morais Andrade nasceu em 1893, na cidade de São Paulo. Formou-se no Conservatório Dramático e Musical onde seria professor de História da Música. Com 29 anos, foi um dos responsáveis pela Semana da Arte Moderna (fevereiro de 1922), participando também das revistas de afirmação modernista (Klaxon, Estética, Terra Roxa e Outras Terras). Trabalhou no Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, lecionou Estética na Universidade do Distrito Federal e, de volta a São Paulo, trabalhou no Serviço do Patrimônio Histórico e faleceu nesta cidade, em 1945.
Suas principais obras foram Paulicéia Desvairada (1922) ¿ com o famoso ¿Prefácio Interessantíssimo¿, Losango Cáqui ou Afetos Militares de Mistura com os Porquês de eu Saber Alemão (1926), Amar, Verbo Intransitivo (1927), Clã do Jabuti (1927), Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (1928), Lira Paulistana (1946) e Contos Novos (1947). Também publicou diversos ensaios sobre música, danças, além de, postumamente, suas cartas aos contemporâneos modernistas terem sido compiladas em livros.

Sobre a obra

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter foi escrito por Mário no período de férias (no ano de 1927) que passou na chácara de seu tio, na cidade de Araraquara (interior de São Paulo). Mário, grande realizador da estética modernista no Brasil, classificou essa sua obra não como romance, mas sim como rapsódia . O protagonista é uma espécie de herói picaresco (em partes), que tem sua história narrada em terceira pessoa, por um homem que tomou conhecimento de todo o acontecido (mas que só se ¿apresenta¿ no epílogo).
Alfredo Bosi, em sua História Concisa da Literatura Brasileira, definiu muito bem as características de Macunaíma:

O protagonista, ¿herói sem nenhum caráter¿, é uma espécie de barro vital, ainda amorfo, a que o prazer e o medo vão mostrando os caminhos a seguir (...)

Resumo da história

Desde o nascimento, Macunaíma mostra-se a essência do anti-herói abrasileirado, tendo sempre ¿preguiça¿ para fazer qualquer coisa que necessite de muito esforço. Aproveita-se de todos (principalmente dos irmãos), ao mesmo tempo em que se amedronta com algumas situações inusitadas. Já de início, a sensualidade do herói é mostrada, quando rouba todas as companheiras do irmão Jiguê, ¿brincando¿ com elas. O autor enriquece a história com vocábulos e crendices populares, folclóricas, a fim de criar uma rapsódia brasileira, tendo como representante o símbolo de um brasileiro (o próprio Macunaíma, primitivo e moderno).
Apaixona-se por Ci, a Mãe do Mato ¿ o que o transformou em Imperador do Mato Virgem, e com ela teve um filho, que morreu envenenado (e transformou-se na planta guaraná). De desgosto, Ci resolve fugir para os céus, transformando-se em estrela ¿ a Beta do Centauro. Antes, presenteia o herói com o muiraquitã, um talismã, que é mais tarde roubado pelo gigante Venceslau Pietro Pietra. Este, mudando-se para São Paulo, obriga o herói a segui-lo, levando sempre os dois irmãos. Não podendo vencer o estrangeiro por processos normais, Macunaíma apela para a macumba: depois de comer cobra consegue derrotá-lo.
A busca pelo muiraquitã faz com que Macunaíma passe por diversas peripécias, como no episódio em que é perseguido por todo o Brasil pelo minhocão Oibê (por tê-lo enganado, comendo o jantar dele).
No fim da narrativa, o herói se cansa da vida aqui, sobe aos céus e resolve se transformar em estrela ¿ a Ursa Maior.

Vale perceber a importância das metamorfoses na narrativa: durante toda a rapsódia as metamorfoses se fazem presentes, sempre ligadas ao folclore. Também é importante destacar o emprego da fala brasileira na rapsódia de Mário de Andrade: a história é narrada quase em sua totalidade num tom coloquial, com exceção do capítulo IX, Carta pras Icamiabas. Nesse capítulo, com o intuito de conseguir dinheiro das Icamiabas, escreve de forma culta e purista, mas acaba demonstrando conhecimento superficial (como, por exemplo, quando se confunde ao dizer ¿testículos da Bíblia¿, ao invés de ¿versículos da Bíblia¿).

Sobre a estética literária

Macunaíma foi publicado em 1928, publicação esta financiada pelo próprio Mário de Andrade. A Semana de Arte Moderna tinha reforçado, em 1922, a chegada de uma nova estética, apoiada por figuras importantes como Oswald de Andrade, Graça Aranha, Anita Malfatti e Menotti Del Picchia. Mesmo antes da Semana, esse grupo já apresentava e apoiava uma arte que negasse o academismo e que rompesse com a República Velha . É nessa fase chamada de pré-modernista que surgiram como influências as vanguardas européias (cubismo, surrealismo, dadaísmo, futurismo). Inicialmente, os ideais modernistas não foram muito bem vistos pelos contemporâneos.



Postado por Clarissa às 12:59 AM


___________________________________
Terça-feira, Maio 25, 2004


Aulas de terça-feira (25/05)

Atenção queridos alunos que teriam aulas comigo nesta terça-feira, dia 25: vou deixá-los sem o privilégio da minha aula! Terei que ir a São Paulo resolver minha vaga de professora estadual (chiquérrimo! rs), portanto não estarei disponível.
Com certeza vocês já foram avisados pela direção, mas não custa reforçar. Depois a gente corre atrás do prejuízo.
Beijos a todos!


Postado por Clarissa às 12:02 AM


___________________________________
Sexta-feira, Maio 14, 2004


SIMULADO!

A todos os meus meus alunos que farão simulado neste domingo (16/05), boa sorte!

E, a todos vocês, um ótimo fim de semana!


Postado por Clarissa às 3:07 AM


___________________________________
Quinta-feira, Abril 29, 2004


Classicismo - ao 1o. Colegial Noturno

Olá, meus queridos!
Lembram que eu havia dito que esse espaço também estaria aberto ao pessoal dos colegiais?
Pois é: hoje estou postando um resuminho da aula sobre Classicismo para o 1o. colegial noturno. Aos alunos das aulas de Obras da TERÇA, já conta como uma leve introdução no nosso assunto da semana que vem: Os Lusíadas! Claro que, na aula de Obras, eu também vou levar um resumo bem completo a respeito dos dois Cantos escolhidos pelo vestibular. Mas vamos com calma. Hoje, então, deixo o resumo ao 1. ano.
Os vestibulandos também receberão os resumos mais completos. Aguardem...
Beijos a todos!

CLASSICISMO

Surge, em Portugal, com a chegada do verso decassílabo (em 1527) e do soneto (poema de 2 estrofes de 4 versos e mais 2 estrofes de 3 versos, com versos decassílabos), trazidos da Itália por Sá de Miranda. Esse período, também chamada de Renascimento, é marcado pelos grandes empreendimentos, pelos descobrimentos e pela expansão marítima (as Grandes Navegações).
O autor de maior destaque dessa época é Luís Vaz de Camões. Esse autor compôs no gênero lírico, épico, dramático, também escrevendo cartas. Destacamos os dois mais importantes:
-Lírico: nesse gênero, escreveu mais sonetos. Seus temas principais são o Amor e o desconcerto do mundo (as injustiças do mundo).
-Épico: é nesse gênero que escreveu sua obra-prima Os Lusíadas em 1572.

- Os Lusíadas trata da glória do povo português, usando como assunto a viagem de Vasco da Gama às Índias. A obra é composta em 8816 versos, 1102 estrofes, e em versos decassílabos com oitava rima (esquema de rima ABABABCC); está dividida em 5 partes:
Proposição - narra os feitos heróicos dos portugueses;
Invocação - invoca as ninfas do rio Tejo para que iluminem o poeta;
Dedicatória - ao rei d. Sebastião;
Narração - narrativa dos navegadores portugueses;
Epílogo -mostra o poeta desencantado com a pátria.

Podemos destacar alguns episódios mais importantes da obra:
Episódio da morte de Inês de Castro - a famosa rainha coroada depois de morta.
Episódio do Velho do Restelo - a figura do velho, profundamente pessimista, é uma alegoria dos políticos antigos e nacionalistas.
Episódio do Gigante Adamastor - o Gigante é uma espécie de figura que representa os perigos dos mares que o povo português desbravou. Se encontra no Cabo das Tormentas, pelo qual os portugueses tiveram que passar.

Camões se aproveita da retomada das tradições gregas e latinas para introduzir entidades mitológicas ao longo da narrativa. Vale lembrar que, por se tratar de obra voltada para as glórias do povo português, Os Lusíadas , por ser épico, retrata como herói da história o próprio povo português (e não Vasco da Gama).




Postado por Clarissa às 2:17 AM


___________________________________
Segunda-feira, Abril 19, 2004


Saudações, alunos internautas!
Como estão todos? Bem, é claro!
Vou deixá-los com mais um resuminho (essse, inédito aos alunos do extensivo e dos terceiros do noturno): o do Memórias Póstumas de Brás Cubas !
E, quem tiver acesso, assista ao filme! O Reginaldo Faria está excelente no papel de Brás. Mas o livro é repleto de simbologias e pequenas histórias que o filme não soube (ou não pôde) trabalhar. Portanto, ainda fico com o livro.

Ah! Pretendo abrir esse espaço aos alunos do 1o. e 2o. colegiais, também. Portanto, queridos vestibulandos, não se assustem se aparecer por aqui algum conteúdo diferente. Mas isso não os impede de aproveitar, quando conveniente, o material.

Sem mais delongas, aí está o resumo! Beijos a todos e até mais!

ANÁLISE DA OBRA MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS,
DE MACHADO DE ASSIS


Sobre o autor

Nasceu em 1839, no Rio de Janeiro. Filho de um mulato e uma lavadeira portuguesa, perdeu os pais quando ainda era muito novo, e foi criado então pela madrasta. Aos dezesseis anos, ingressou na Tipografia Nacional (onde conheceu Manuel Antônio de Almeida e, mais tarde, conheceu também outras figuras importantes, como Joaquim Manuel de Macedo, Casimiro de Abreu e Quintino Bocaiúva). Seu primeiro livro, Crisálidas, foi publicado em 1864. Casou-se em 1869, e viveu com a mulher Carolina até o falecimento desta (em 1904). Sua primeira obra realista (que, aliás, culminou no surgimento do Realismo no Brasil) foi Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881. Essa obra marcou também uma mudança nas temáticas machadianas, dividindo então sua produção literária em duas fases: a primeira, romântica, e a segunda, realista.

1ª. fase: na produção dos romances, existia ainda a preocupação com o enredo, bem como a elaboração de personagens um tanto superficiais - marcas românticas. Nessa fase, entretanto, Machado introduz nesses romances algumas características já consideradas realistas, como o humor, o senso crítico, a observação de detalhes e as reflexões filosóficas. Nessa fase, o autor produziu, no campo do romance, as obras Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878).

2ª. fase : iniciada com o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), essa fase é marcada pela maturidade de escritor, que já não se preocupa com o enredo, e sim com os conflitos íntimos do homem. Ao vasculhar a alma de suas personagens, expõe aos leitores um vasto painel humano (a partir da sociedade do Rio de Janeiro). Algumas características são evidenciadas nessa fase realista, a saber:
-digressão
-universalismo
-pessimismo
-metalinguagem
-intertextualidade

Além do romance já citado, Machado publicou também Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908).


Sobre a obra

O romance Memórias Póstumas de Brás Cubas foi, como já dito, o fundador da estética realista no Brasil. Como tal, apresenta todas as características da fase realista machadiana (citadas acima).
Escrita de forma não-usual, trata de um "defunto-autor" que, para passar o tempo na eternidade do pós-morte, decide escrever suas memórias. Não obstante, Brás Cubas (o tal "defunto-autor") não escreve suas memórias de forma linear, optando por narrá-las à medida que as lembranças o aparecem. Sendo assim, resolve iniciar, de maneira irônica e crítica, com uma advertência ao leitor, justificando o caráter não-linear da obra, bem como seu caráter pós-morte.
Ao longo da narrativa, enriquece suas lembranças com críticas à hipocrisia da vida em sociedade (o que permite-nos enxergar também um certo pessimismo), com questionamentos filosóficos (através do Humanitismo de Quincas Borba), com aprofundamentos nos conflitos interiores (como, por exemplo, quando trata dos delírios que teve antes da morte - capítulo VII), entre outras coisas.
Se o compararmos com os escritores realistas portugueses (como por exemplo Eça de Queirós), notamos certa diferença de abordagem no que diz respeito à observação da realidade. Isso porque Machado de Assis pratica o que chamamos de realismo interior, ou seja, a opção pela sondagem psicológica e interior das personagens. No realismo interior, o foco é para o que ocorre no âmago de cada personagem, não se admitindo, portanto, que elas sejam construídas de fora para dentro, e sim de dentro para fora.
Algumas cenas são de grande importância para destacar as sutis diferenças do realismo machadiano. Entre elas, destacamos as ocorrências dos capítulos 1 (Óbito do autor, que marca a desconstrução da linearidade), 2 e 4 (que marcam a idéia fixa do Emplasto e, conseqüentemente, o "delírio"), 7 (o delírio propriamente dito, que marca o fantasioso em contraposição ao real), 17 (a ironia com que retrata o interesse de Marcela), 31 (em que compara a borboleta preta com Eugênia), 45 (retratando de forma concisa o velório e o enterro do pai, poupando os leitores de uma leitura cheia de descrições cansativas e tristes), 51 e 52 (tratando da hipocrisia, ao encontrar uma moeda de ouro que acaba devolvendo, adquirindo grande admiração dos outros, em contraposição com o episódio em que acha um embrulho contendo muito mais dinheiro - e esse, Brás não devolve, escondendo das pessoas sua existência), 55 (em que, ao invés de retratar numa descrição longa e tediosa seu caso com Virgília, o faz apenas com sinais de pontuação, o que transforma essa linguagem visual em uma inovação de estilo), 66 (em que aproveita o capítulo para agradecer às suas pernas - o que, aparentemente, não tem ligação nenhuma com a narrativa), 71 (em que o autor confessa ter se arrependido de haver começado a escrever o livro), 102 (em que adia a narração de um fato), 117 (em que se explica ao leitor o conceito do Humanitismo, doutrina inventada por Quincas e que, no romance, faz uma crítica sutil ao Positivismo), 125 (em que transcreve apenas o epitáfio de D. Eulália, se esquivando de fazer qualquer outra descrição da morte), 138 (em que Brás se dirige aos seus críticos literários), 139 (que marca, como o capítulo 55, uma passagem apenas com sinais de pontuação), 159 (em que toma consciência das sandices em que havia acreditado antes) e 160 (que encerra, de forma pessimista, a narrativa).

Personagens

- Brás Cubas - defunto-autor que resolve, depois da morte, retratar suas memórias, mas o faz através de digressões, não levando em conta a linearidade. Descreve os episódios que considera importantes em sua vida, e os que não quer entrar em detalhes, só cita. Vai tecendo, no decorrer da narrativa, um emaranhado de acontecimentos, regados pela impressão do autor, pelo aspecto interior e pela sondagem psicológica.
- Virgília - amante de Brás Cubas, é retratada como personagem ambígua (pois ama Brás, mas não se desprende do marido, pelo qual também sente profunda afeição). O romance é retratado como algo sutil, diferente das narrativas românticas (já que além de não ficarem juntos, continuam a levar suas vidas normalmente depois da separação). Virgília tinha sido prometida a Brás, juntamente com uma carreira política, mas acaba se casando com Lobo Neves, e com ele vive até sua morte.
-Quincas Borba - figura ambígua e complexa, aparece num momento importante na vida de Brás. Funda o Humanitismo, convertendo o protagonista à sua doutrina, o que mais tarde é retratado como sandice, concluindo-se que a teoria era incompleta e perigosa.
-Lobo Neves - casou-se com Virgília e conseguiu, assim, a carreira política que Brás almejava. É traído pela mulher, e não se sente plenamente satisfeito coma carreira (o que confessa a Brás um dia). No fundo, sabe da traição, mas prefere fingir que não (o que demonstra a hipocrisia da vida em sociedade, que prefere manter as aparências - Lobo Neves é um hipócrita pois detesta o que faz e descobre o adultério, mas nos dois casos, chega à conclusão que o melhor é continuar mantendo o sorriso no rosto e fingindo que está tudo bem, perante a sociedade).
-D. Plácida - empregada de Virgília, cuida da casa em que a patroa e Brás se encontram às escondidas (ou seja, aos olhos dos outros, a casa é dela). No começo fica relutante, pois sabe quais são os reais motivos, mas depois acaba sendo conquistada por Brás, que a presenteia e a envolve numa história romântica sobre o amor dele e de Virgínia. No leito de morte, quando mais precisava de Brás, é abandonada.
-Marcela - primeiro amor na vida de Brás. Era mais velha, e foi retratada como sendo muito bonita. É caracterizada como interesseira, já que adorava os presentes que Brás a trazia (o levando mesmo às dívidas por conta dos presentes). Os dois se distanciam quando Brás vai estudar na Europa, mas se reencontram quando ele volta - ela já está desgastada e é retratada como asquerosa, com a pele cheia de bexigas. No fim da vida, Brás, num trabalho voluntário, a encontra velha, doente e sem o brilho de antigamente.
- Eugênia - moça bonita e delicada que Brás encontra quando decide passar uns tempos na fazenda da família (logo após a morte da mãe). A "flor da moita" , como é chamada, teria tudo para ser a futura mulher de Brás, mas era coxa de nascença. Através desse defeito, Brás a descarta, como se nada mais nela enxergasse a não ser o fato de ser coxa. De maneira irônica, repete inúmeras vezes o defeito dela, como que para convencer o leitor de que estava certo em descartá-la. Também a vê no fim da vida, já velha e doente.

Algumas personagens secundárias: Prudêncio (escravo da família de Brás), Dona Eusébia (mãe de Eugênia), os pais de Brás, os tios de Brás (dos quais herdou o lado peralta e o lado culto), Jacó Tavares (aparece em apenas um capítulo, para depois, ser contraposto com o Brás demente) e Luís Dutra (primo de Virgília).



Postado por Clarissa às 11:11 PM


___________________________________
Domingo, Abril 18, 2004


Olá a todos! Aqui está o resumo do livro O Primo Basílio, do Eça de Queirós. Ao pessoal do cursinho e turma da noite (que não vai ter aula nesta quarta, por conta do feriado), adiantem a leitura da próxima aula: Memórias Póstumas de Brás Cubas. Como vocês mesmos perceberão, é um realismo menos "cansativo" que o do Eça. Menos descritivo, digamos assim. E boa leitura!
Beijos a todos!

ANÁLISE DA OBRA O PRIMO BASÍLIO, DE EÇA DE QUEIRÓS

Sobre o Realismo

O movimento realista teve forças em Portugal com a polêmica da Questão Coimbrã, protagonizada por Antero de Quental, Teófilo Braga (esses dois representando os realistas), Pinheiro Chagas e Antônio Feliciano de Castilho (esses representando os românticos). Suas principais características são o caráter anti-romântico e a crítica aos três pilares da sociedade da época: a Monarquia (poder), o Clero (ideologia) e a Burguesia - criticando a principal instituição burguesa, o casamento, e desestruturando-o através do adultério.
O Realismo tem como orientação o retrato do mundo concreto, através de detalhes e contextos, de forma objetiva e cientificista. Utiliza a visão binocular, ou seja, analisa detalhadamente o íntimo da personagem, a fim de aprofundar o estudo dos tipos humanos. Há também o uso do discurso indireto livre (que tem também como intuito facilitar o entendimento dos conflitos íntimos das personagens), bem como o uso da ironia e da paródia.


Sobre o autor

José Maria Eça de Queirós nasceu em Póvoa de Varzim, em 1845. Em Coimbra, estuda Direito e liga-se a uma ruidosa geração acadêmica, entusiasmada com as idéias de Proudhon e de Comte. Conhece Antero de Quental e inicia sua carreira literária com a publicação de folhetins, mas tarde reunidos sob o título de Prosas Bárbaras (1905). Durante a Questão Coimbrã mantém-se à margem, como simples espectador. Formado, segue para Lisboa, a tentar a advocacia. Dirigiu o jornal Distrito de Évora e, em 1869, viaja ao Egito para fazer a reportagem da inauguração do Canal de Suez - essa reportagem, já postumamente (1926), transforma-se no livro O Egito. Ao voltar, participa das Conferências do Cassino Lisbonense (1871). Desejando ingressar na carreira diplomática, vai para Leiria como administrador do Conselho. Lá, inspira-se para escrever O Crime do Padre Amaro (1875). Por conta da carreira, viaja muito, estando em Havana, em Bristol (Inglaterra) e em Paris. Na França, casa-se e, em 1900, falece rodeado pelos amigos.

Fases da produção literária queirosiana

A carreira literária de Eça de Queirós costuma ser dividida em três fases:
1ª. Fase - 1866 a 1875. nessa fase encontramos textos que começar a definir o estilo do autor: romances policiais, contos e folhetins.
2ª. Fase - 1875 a 1888. Chamada de Fase Realista, iniciou-se com a publicação de O Crime do Padre Amaro. Nessa fase, realizou crítica social, atacando a burguesia lisbonense ¿ pretende montar um painel social, observando o comportamento dos tipos humanos. Com esses tipos, Eça ataca as instituições de poder (ideais realistas). Escreveu também, nessa fase, os romances O Primo Basílio, A Relíquia e Os Maias.
3ª. Fase - 1888 a 1900. Chamada de Fase Pós-Realista, em que o autor abandona as idéias da fase anterior, adotando agora o nacionalismo e o culto à natureza da pátria (o que nos remete aos ideais românticos).


Sobre a obra

Enredo

O Primo Basílio (ou Episódio da Vida Doméstica, seu subtítulo) trata da vida burguesa em Lisboa. Luísa, vítima do ócio e da educação desleixada, é protagonista desse romance. Deixa-se levar pela fantasia romântica e, apenas se vendo longe do marido Jorge, cai nas garras do conquistador Basílio. Além do triângulo amoroso que visa criticar a burguesia - através do casamento adúltero - outros pontos realistas importantes podem ser destacados nesse romance.
Inicialmente, vale notar as descrições feitas pelo narrador acerca das personagens - carregadas, vez ou outra, de impressões naturalistas. Importante também é destacar a descrição queirosiana feita a partir do geral até o particular - ou seja, após a descrição do ambiente, geral, o autor reduz seu campo de visão e ocupa-se com gestos e conflitos particulares da personagem.
Há, também, no romance, o que chamamos de polifonia, que seria um revezamento de vozes - a voz do narrador se alterna com a voz da personagem, conciliando tudo em um só discurso (já foi tratado acima o caso do discurso indireto livre). E, também importante, é a presença de inúmeros estrangeirismos ao longo de todo o romance - em particular o emprego dos vocábulos ingleses e franceses.

Personagens

No Realismo e no Naturalismo, algumas personagens possuem comportamentos específicos, o que nos permite dividi-las em planas ou esféricas. No caso do romance O Primo Basílio, destacamos duas personagens com essas caracterizações bem marcadas: Juliana, que é tipicamente plana (já que do começo ao fim da narrativa, possui o intuito se vingar de Luísa) e Jorge, tipicamente esférico (no início da narrativa, ao falar da personagem da obra teatral de Ernestinho, condena a mulher adúltera, mas as descobrir que a mulher dele o traiu, tem uma conduta diferente, e a perdoa).
Vale lembrar que Eça de Queirós descreve determinadas personagens d'O Primo Basílio com forte influência naturalista. As enfermidades e as características asquerosas do físico delas são retratadas de forma crua e detalhada pelo autor.
Trataremos agora de fazer uma pequena descrição das personagens do romance estudado.

Luísa: mulher de Jorge, apresentada como fútil e de caráter negativo, deixa-se levar pelos encantos de Basílio durante a ausência do marido. Ao ser descoberta por Juliana, passa a ser chantageada, o que a leva ao "arrependimento" e, mais tarde, à morte.
Jorge: marido de Luísa, que viaja por motivos de trabalho e, ao voltar, se depara com a atitude estranha da mulher, que passa a acobertar os deslizes de Juliana, sente-se doente todo o tempo e vive triste sem motivo aparente. Inicialmente mostra-se um crítico veemente do adultério, mas ao descobrir a traição de sua mulher (que, nesse momento encontra-se gravemente enferma), resolve perdoá-la. No geral, é mostrado pelo autor como homem comum e desinteressante.
Basílio: primo de Luísa e ex-namorado, volta para Lisboa e reata o romance "inacabado" (na adolescência, enquanto namorava a prima, teve de ir às pressas ao Brasil, tentar fazer fortuna, já que os negócios do pai haviam desabado - e de lá termina seu romance, por carta). Espécie de falso Don Juan, aproveita-se da falta de estrutura psicologia da prima (e da ausência do marido dela) para seduzi-la, sobre falsas juras amorosas. Ao saber que Juliana poderia pôr tudo a perder, decide fugir para a França. Reaparece no fim da narrativa mas, ao saber da morte da prima, não se abala tanto e nem desconfia da sua imensa culpa na morte desta.
Juliana: Empregada da casa de Jorge e Luísa, descrita como sendo muito magra e muito doente (presença dum naturalismo nesta descrição, bem como quando o autor descreve as dores dela). Figura austera e sofredora, detesta a patroa, achando-a fútil e mimada. Ao achar uma carta que Luísa escreve a Basílio (e que, por um equívoco, é jogada no lixo e achada pela empregada), vê no ocorrido uma oportunidade para ter uma vida menos dolorosa - chantageando a patroa, o que a faz ganhar diversos presentes e até conseguir descansos dos seus trabalhos domésticos. Na volta de Jorge, tenta disfarçar as enormes regalias mas, ao ser supreendida por ele algumas vezes deixando de lado seu serviço (que era feito por Luísa), é mandada embora. Ao tentar se safar da história, acaba sendo surpreendida por Sebastião, que a assusta e consegue as cartas de volta. Numa crise nervosa, morre por conta do aneurisma. Vale notar uma suposta luta de classes, que o autor quis retratar, entre Luísa - patroa - e Juliana - empregada.
Sebastião: figura simples e inocente, é apresentado como sendo tímido e grande amigo de Jorge, desde os tempos da infância. Antes de viajar, Jorge deixa a cargo de Sebastião o cuidado com Luísa. Ao saber que a vizinhança já comentava as constantes visitas de Basílio à Luísa, avisa-a, mas não consegue ver maldade na atitude da moça. Ao receber um pedido de ajuda de Luísa (que lhe conta tudo sobre o adultério e sobre as ameaças de Juliana), comove-se com a situação dessa e resolve confrontar a empregada para conseguir as cartas de volta. Guarda até o fim esse segredo.
Julião: amigo de Jorge, formou-se médico mas não conseguiu atingir status nem prosperidade na profissão. Faz parte do grupo de amigos que se reúne toda semana na casa de Jorge e Luísa. Através dele, notamos o cientificismo do período -está sempre em dia com as descobertas e novidades científicas - bem como a ironia ao tratar de assuntos burgueses.
Conselheiro Acácio: pertence ao círculo de amigos por conta de ter sido grande companheiro do pai de Jorge. No romance, representa a sátira aos tipos intelectualóides, que personificam a falsa cultura.
D. Felicidade: solteirona e amiga da falecida mãe de Luísa, também faz parte do rol de amigos. Nutre uma paixão platônica pelo Conselheiro. Quando é descrita pelo narrador, podemos observar também características naturalistas, já que vive falando de suas enfermidades (flatulência e dificuldades de digestão) - assim, parece uma figura um tanto repugnante.
D. Leopoldina: burguesa adúltera, possui vários amantes. Amiga de Luísa, se conhecem desde os tempos da adolescência. Jorge não gosta de Leopoldina, por considerá-la má-companhia à mulher - o que não impede que as duas amigas se encontrem às escuras. Retrato vivo do esfacelamento do casamento burguês. É descrita como sendo atraente.
Ernestinho: também pertence ao grupo de amigos do casal Jorge e Luísa. Autor de peças teatrais, possui importância na obra por colocar em discussão, numa reunião entre os amigos, o adultério (presente em uma de suas peças). A mencionada peça obtém grande sucesso, o que o torna reconhecido.
Joana: outra empregada da casa de Jorge e Luísa. Gostava muito da patroa. Ao notar o protecionismo de Luísa em relação à Juliana, sente-se deixada de lado e, ao cair no conhecimento de Luísa esse fato, Joana passa a ser também presenteada. Nos momentos em que se encontra sozinha em casa, aproveita o ensejo e convida seu amante a entrar (fato que ocorre diversas vezes no decorrer do romance).


Críticas machadianas

O contemporâneo brasileiro de Eça criticou suas obras de forma concisa e direta. Machado de Assis, adepto e fundador da estética realista no Brasil, escreveu seu parecer sobre as obras queirosianas em O Cruzeiro (1878), com o intuito de analisar a crítica social feita pelo autor, bem como suas personagens no romance.
Ainda hoje, as críticas machadianas acerca da obra de Eça possuem um peso muito grande. Vestibulares costumam se embasar nessas críticas com o intuito de cobrar dos alunos um posicionamento contrário ou de apoio às críticas do autor. Vejamos exemplos de suas críticas:

Se o autor, visto que o Realismo também inculca vocação social e apostólica, intentou dar no seu romance algum ensinamento ou demonstrar com ele alguma tese, força é confessar que o não conseguiu, a menos de supor que a tese ou ensinamento seja isso: - A boa escolha dos fâmulos [empregados] é uma condição de paz no adultério. A um escritor esclarecido e de boa fé, como o Sr. Eça de Queirós, não seria lícito contestar que, por mais singular que pareça a conclusão, não há outra no seu livro.
(A respeito da obra O Primo Basílio)

(...) A Luísa é um caráter negativo, e no meio da ação ideada pelo autor, é antes um títere [marionete] do que uma pessoa moral. Repito: é um títere; não quero dizer que não tenha nervos e músculos; não tem mesmo outra coisa; não lhe peçam paixões nem remorsos; menos ainda consciência.
(sobre o caráter negativo de Luísa)



Postado por Clarissa às 1:42 AM


___________________________________
Quinta-feira, Abril 15, 2004


Meus queridos:
Hoje, deixo com vocês o resumo do "Memórias de um Sargento de Milícias", obra romântica pedida no vestibular da FUVEST. De tempos em tempos, deixarei nos posts os resumos das obras (que são os mesmos que distribuo nas aulas, feitos por mim). Ainda assim, vocês têm os resumos e as obras na biblioteca da escola (o diretor adquiriu 20 exemplares dos resumos da FUVEST, para quem se interessar). E também, aqui ao lado, há os links que os levarão a sites relacionados à literatura, em que vocês poderão encontrar tanto as obras para download como os resumos.
Grande beijo!
E aí vai o resumo de hoje:

MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS
Manoel Antônio de Almeida

Biografia do autor

Nasceu em 1831, no estado do Rio de Janeiro. De origem pobre, órfão de pai aos dez anos de idade, conheceu de perto a vida da pequena classe média carioca. Com muito esforço, formou-se em medicina, mas para ganhar a vida dedicou-se ao jornalismo e à tradução - trabalhou assiduamente como revisor e redator do Correio Mercantil, para o qual escrevia um suplemento mundano e literário, "A Pacotilha". Lá, saíram, em folhetins, as suas Memórias de um Sargento de Milícias, sob um pseudônimo de "um brasileiro" (nessa época, ele tinha por volta de 22 anos). Foi nomeado, mais tarde, administrador da Tipografia Nacional, onde conheceu o ainda aprendiz de tipógrafo Machado de Assis. Exerceu também o cargo de oficial de secretaria do Ministério da Fazenda, e teve idéia de tentar a carreira política, candidatando-se a deputado provincial. Numa viagem eleitoral faleceu no naufrágio do vapor "Hermes".

Realismo ou Romantismo?

Características românticas - Individualismo e subjetivismo - egocentrismo
Sentimentalismo
Fuga da realidade (por não se encaixarem na socied burguesa)
Culto à natureza
Volta ao passado

Características realistas - Crítica social e objetivismo - predomínio do concreto
Sexualidade deformada pelo exagero
Retrato da realidade (expressão da mentalidade da burguesia industrial, para combater a religião e a burguesia)
Cientificismo e racionalismo ; descritivismo
Análise do homem comum e vulgar (versus herói idealizado)
Estudo do homem (e sociedade) do ponto de vista psicológico
Universalismo ; contra o romance histórico e o final feliz.

Por apresentar características já realistas, o autor é considerado precursor do Realismo no Brasil, mas ainda é considerado autor de prosa romântica (não faz descrição psicológica de personagens, não trata de universalismos - já que o romance é tipicamente de costumes brasileiros, mais especificamente fluminenses - além do mais termina sua narrativa com um final feliz, e se preocupa com o viés histórico - o que não se vê no Realismo).

Sobre a obra

Crônica de costumes, em que se narram os feitos e as diabruras de Leonardo, um "vagabundo". Há um compromisso entre o momento histórico (o Rio de Janeiro sob a estada de D. João VI) e uma visão desenganada da existência, fonte do humor presente na obra.
Leonardo, nosso sargento de milícias e personagem principal, é caracterizado por alguns críticos como herói picaresco, ou anti-herói. O gênero picaresco surgiu na Espanha (séculos XVI e XVII), tendo como protagonista o pícaro, um tipo de personagem travessa, que vive de expedientes, a expensas das várias classes da sociedade, o que lhe atribui o caráter cômico. Sendo assim, por ser retratado com herói picaresco, temos como tema central as aventuras de um pobre que via de baixo os defeitos morais de uma sociedade decadente, mas que tinha conhecimento de todos os seus segmentos (passou pela pobreza, pela realeza, pela militância, pelo clero, pela burguesia decadente). É, antes de tudo, um azarado, "filho de uma pisadela e um beliscão" e vai passando pelos infortúnios e pelos gozos da vida.
A estrutura da obra, seu modo de narrativa, ora nos indica um Realismo, ora nos remete ao Romantismo.

Personagens

Leonardo-Pataca: pai de Leonardo (cap. I)
Maria da Hortaliça: mãe de Leonardo (cap. I)
Comadre (parteira): madrinha do Leonardo (CAP. VII)
Compadre (barbeiro): padrinho de Leonardo (CAP. IX)
Major Vidigal: (CAP. V)
D. Maria: vizinha um tanto rica (CAP. XVII)
Luisinha: sobrinha de D. Maria
José Manoel: amigo de D. Maria, depois marido de Luisinha (Cap. XXI)
Chiquinha: segunda mulher de Leonardo-Pataca (Cap. XXIV)
Vidinha: mulata por quem Leonardo se apaixona
Leonardo: herói da narrativa, depois Sargento de Milícias (tropas
auxiliares de segunda linha)

A descrição que o autor faz das figuras é caricata, representando os tipos populares. Ex:

Maria da Hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e bonitona



Postado por Clarissa às 7:11 PM


___________________________________
Segunda-feira, Abril 12, 2004


Olá, queridos alunos!
A professora agora tem um blog, para que todos vocês possam ter acesso aos resumos, textos, livros - a tudo que nos é necessário ao aprendizado da disciplina de Literatura.

Como não posso anexar arquivos do Word, terei que colocar os resumos em forma de post mesmo. Mas, de qualquer forma, espero que vocês possam aproveitar esse espaço.

Também há um espaço para comentários, para que vocês possam se comunicar comigo, dar dicas, fazer perguntas e pedidos. Sintam-se à vontade.

Grande beijo a todos!


Postado por Clarissa às 6:40 PM


___________________________________
Perfil~

Nome: Mariana
Idade: 14 anos
E-mail: seu e-mail

Blogs Amigos~

Blog1
Blog2
Blog3

Sites~

Damas de Preto
Site1
Site2
Site3

Arquivos~



Layout Por~